Missa da Ceia do Senhor abre Tríduo Pascal na Sé

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sexta-feira, 22 Abril 2011 - 18:18
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Da redação

Na noite desta Quinta-feira Santa (21), os fiéis se reuniram na Catedral da Sé para a Missa da Ceia do Senhor, celebração que comemora a instituição da Eucaristia e do sacerdócio, marcada pelo gesto de Jesus na última ceia, quando lavou os pés dos discípulos.

A missa, que abre o Tríduo Pascal, foi presidida pelo arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer, e concelebrada pelos cônegos Walter Caldeira, cura da catedral, e Raphael Emygdio Peretta, pároco da Paróquia São Gabriel (Região Sé), e os padres Fábio Fernandes e Ricardo Anacleto.

Logo no início da missa, dom Odilo convidou todos a participarem da celebração como se estivessem com Jesus e os apóstolos na última ceia.

Na homilia, o cardeal explicou que a Páscoa para os católicos não é celebrada em um único dia, mas em um tríduo que começa com a Missa da Ceia do Senhor, passa pela celebração da Paixão, na Sexta-feira Santa, e culmina no Sábado Santo, com a celebração da Solene Vigília Pascal, quando é proclamada a ressurreição de Jesus.

Instituição da Eucaristia

O arcebispo também recordou que Jesus deu um novo sentido à Páscoa judaica , na qual o cordeiro pascal lembrava  para o povo hebreu a libertação da escravidão da a vida. “Jesus, celebrando esta mesma ceia, de repente toma o pão e o reparte, entregando aos discípulos e diz: ‘tomem, comam, é meu corpo imolado por vocês’. Jesus é o novo cordeiro pascal, que seria imolado sobre a cruz”, afirmou dom Odilo.

“O sangue do Filho de Deus feito homem que se apresenta diante do Pai e oferece, por nós todos, um sacrifício de expiação por nossos pecados. O sangue que, de fato nos purifica, que nos dá vida nova”, ressaltou o cardeal, recordando uma passagem da Carta aos Hebreus.

Ainda de acordo com dom Odilo, toda vez que a Igreja celebra a Eucaristia, o faz em memória de Jesus, que disse na ceia, “fazei isto em memória de mim”. Por isso, o arcebispo explicou os principais significados da missa.

“A missa é para nós, antes de tudo, um sacramento de Jesus Cristo por excelência, que nos lembra Jesus no meio de nós, à frente de sua Igreja, Senhor da Igreja”, disse, reforçando que quando se celebra a Eucaristia, a comunidade se reúne como os discípulos se reuniam em torno do Senhor.

Por outro lado, afirmou dom Odilo, lembrando a última ceia, a missa é também "a ceia fraterna que reúne os irmãos, filhos do mesmo Pai”, sinalizando a fraternidade que deve ser construída após a missa. Por isso, destacou o cardeal, “a missa é o sacramento da unidade”.

A celebração da missa é também o banquete para o qual o Pai convida a todos, também lembrou o cardeal. “Toda vez que celebramos a missa, nós nos nutrimos de Cristo”, disse.

Outro aspecto que o arcebispo salientou sobre celebração eucarística é também como sacrifício da nova e eterna aliança. “A missa recorda o sacrifício de Jesus na cruz, que entrega a vida pela humanidade e pede perdão por nós”.  

Por fim, dom Odilo lembrou que a missa também é anúncio do banquete da vida eterna, recordando o que é dito durante a liturgia eucarística – “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus”.

Lava-pés

Repetindo o gesto de Cristo, relatado no Evangelho segundo São João, quando, depois da ceia, Jesus lavou os pés dos apóstolos dom Odilo lavou os pés de doze pessoas, entre eles guardas civis metropolitanos, responsáveis pela segurança no entorno da catedral e fiéis da comunidade.

“Lavar os pés significa colocar-se a serviço uns dos outros”, exortou dom Odilo, que reforçou que toda missa deve levar as pessoas a servirem os irmãos, assim como Jesus recomendou aos apóstolos para que repetissem este gesto. “Não podemos sair mais egoístas da missa. Pelo contrário, temos que sair mais generosos, abertos e atentos às necessidades e sofrimentos do próximo, aos desafios ao nosso redor, para construir um mundo melhor", disse.

“O gesto de humildade de dom Odilo ao lavar os meus pés, me fez refletir sobre o quanto humilde tenho que ser com meus irmãos”, afirmou a jovem Raquel Aparecida Vital, da Comunidade Católica Shalom, que garantiu que tal experiência a ajudará a viver o Tríduo Pascal com mais intensidade.

Transladação do Santíssimo Sacramento

Outro momento forte da Missa da Ceia do Senhor é quando, após a oração depois da comunhão, o Santíssimo Sacramento é transladado solenemente em procissão para uma capela lateral, e colocado sobre o chamado “altar da reposição”, onde a comunidade é convidada a permanecer em adoração e vigília.

Em algumas comunidades, caso seja conveniente, os fiéis permanecem em adoração pela noite toda ou retomam a vigília na manhã da sexta-feira até as 15h, quando acontece a Celebração da Paixão.

Cantando o hino “Tão Sublime Sacramento”, os fiéis acompanharam dom Odilo, que levava Jesus eucarístico até a capela do Santíssimo, na lateral da catedral. Em seguida, a celebração terminou sem a bênção final, que será novamente proferida somente no final da Vigília Pascal, no Sábado Santo. O altar foi desnudado, as flores foram retiradas e os sinos não tocam mais até a solene vigília no sábado. Tais gestos convidam os fiéis a vivenciarem a expectativa da ressurreição de Cristo.

 

(Fotos: Luciney Martins)