|
Notícias |
|||||
|
Notas da CNBB
|
06/02/2008
Mensagem de Sua Santidade o Papa Bento XVI por ocasião da Abertura da Campanha da Fraternidade 2008 Quaresma e Campanha da Fraternidade de 2008 - Mensagem de Dom Odilo Scherer, Arcebispo de São Paulo
Ao Venerável Irmão no Episcopado D. Geraldo Lyrio Rocha Presidente da CNBB Arcebispo de Mariana Ao iniciar o itinerário espiritual da Quaresma, a caminho da Páscoa da ressurreição do Senhor, desejo uma vez mais aderir à Campanha da Fraternidade que, neste ano de 2008, está subordinada ao tema “Fraternidade e Defesa da Vida” a ao lema “Escolhe, pois, a vida”. É um tempo de conversão de todos os cristãos, no sentido de buscar uma fidelidade ainda maior ao Deus criador e doador da vida. Meu Venerável predecessor, o Papa João Paulo II, na Encíclica Evangelium Vitae, pôs em evidência a mentalidade individualista e hedonista que, com uma concepção distorcida da ciência, foi causa de novas violações da vida, em particular do aborto e da eutanásia. Certamente, todas as ameaças à vida devem ser combatidas; o Concílio Vaticano II, ao condenar tudo quanto se opõe à vida ou viola a integridade da pessoa humana e a sua dignidade, recordava que tudo isso, “desonra mais aqueles que assim procedem, do que os que padecem injustamente” tais atitudes, pois ofendem gravemente a honra devida ao Criador (cf. Cons. Gaudium es Spes, 27). Por isso, no Discurso Inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, quis recordar que os caminhos que traçam uma cultura sem Deus e sem os seus mandamentos, ou inclusive contra Deus, terminam sendo “uma cultura contra o ser humano e contra o bem dos povos latino-americanos” (n. 4). O Documento final de Aparecida nos mostra que o encontro com Cristo é o ponto de partida para a negação desses caminhos de morte e a escolha da vida; mas é também o ponto de onde partimos para reconhecer plenamente a sacralidade da vida e a dignidade da pessoa humana (n. 356). Ao dar início à Campanha da Fraternidade deste ano, renovo a esperança de que as diversas instâncias da sociedade civil queiram solidarizar-se com a vontade popular que, na sua maioria, rejeita todas as formas contrárias às exigências éticas de justiça e de respeito pela vida humana desde o seu início até o seu fim natural. Com estes auspícios, invoco a proteção do Senhor, para que sua mão benfazeja se estenda por todo o Brasil, e que a vida nova em Cristo atinja o ser humano por inteiro em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural, derramando seus dons de paz e prosperidade e desperte em cada coração sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. Com uma especial Bênção Apostólica. Benedictus PP. XVI
Vaticano, 8 de dezembro de 2007 Quaresma e Campanha da Fraternidade de 2008 D.Odilo P. Scherer Arcebispo de São Paulo
A Quaresma é o tempo de preparação da Páscoa, durante o qual a Igreja convida nos a fazer intensos exercícios de penitência, para a renovação da nossa adesão a Jesus Cristo ressuscitado e ao seu Evangelho. Três são os exercícios quaresmais indicados pela Igreja, neste tempo: o jejum, a esmola e a oração. Pelo jejum exercitamo-nos no desapego aos “apetites terrenos” e na busca do alimento da Palavra de Deus, lembrados de que “não só de pão vive o homem”; pela esmola exercitamo-nos na justiça e na caridade fraterna, pois a religião sem amor ao próximo seria falsa, uma vez que o amor a Deus é inseparável do amor ao próximo; pela oração, buscamos a Deus, único a dar sentido verdadeiro à nossa existência, e superamos a tentação da soberba da vida. Também a Campanha da Fraternidade é um exercício quaresmal bem concreto, que nos ajuda a voltar a atenção para algum aspecto fundamental da convivência humana. Neste ano, com o tema - Fraternidade e defesa da vida -, e com o lema - escolhe, pois, a vida (Dt 30,19), a Campanha quer afirmar mais uma vez o valor intocável da vida de cada ser humano, desde o primeiro instante da sua existência no seio da mãe até seu fim natural, e esclarecer os motivos pelos quais devemos respeitar e defender a vida humana. É impressionante o número de assassinatos cometidos no Brasil todos os anos e não faltam casos de violência e ameaças à vida humana. Também são muito numerosos os casos de abortos provocados e se fala em legalizar também a eutanásia. Mas esta Campanha da Fraternidade não quer restringir-se à reafirmação clara da posição da Igreja na defesa da vida humana; ela vem para suscitar uma discussão ampla no Brasil sobre os motivos pelos quais devemos assumir a defesa firme da vida humana e pelos quais não podemos aprovar as várias formas de agressão direta contra a vida humana, como o aborto, a eutanásia e o uso de embriões humanos na pesquisa científica. Além disso, é preciso superar as causas da violência; a principal delas é a indiferença e a insensibilidade diante da violência e dos assassinatos, que acabam sendo vistos como “fatos corriqueiros”. É preocupante quando a cultura e a convivência absorvem a violência como parte do dia-a-dia. Quando se perde a noção do valor da vida e da gravidade de cada morte provocada, uma grave ameaça pesa sobre a vida de todos; mas o risco mais sério sobra para as pessoas indefesas e frágeis, em todos os sentidos. A vida do próximo é um bem precioso e inviolável, que não nos pertence, nem pertence à sociedade ou ao Estado, mas por estes deve ser tutelada, como o primeiro e mais fundamental direito dos cidadãos; desprezado esse direito, ficam ameaçados todos os demais direitos humanos. A inviolabilidade da vida humana é definida pela Constituição brasileira e pela Organização das Nações Unidas (ONU). Não podemos aceitar leis contrárias à vida humana. Acima de tudo, o respeito à vida humana é claramente estabelecido pelo 5° mandamento da Lei de Deus: “não matarás”. Não pode haver dúvidas nem vacilação em relação à defesa da vida humana diante de toda forma de agressão direta e voluntária a ela, ainda mais quando se trata de tirar a vida de um outro ser humano. Defender a dignidade da pessoa e a inviolabilidade d e sua vida é uma ação importantíssima de fraternidade e caridade, que decorre da ética humana e da nossa fé em Deus. Isso significa também valorizar e defender a própria vida. A Campanha coloca-nos diante do dilema: escolher a vida ou a morte. E, com a Palavra de Deus, a Igreja nos convida a escolher a vida; é a única atitude que convém para valorizar a vida do próximo e a própria existência.
|
||||