SÃO PAULO 1º DE MARÇO DE 2009 ANO 33 Nº 18 • B

1º domingo da Quaresma

Anim. O primeiro domingo da Quaresma, ao apresentar a vitória de Jesus sobre as tentações, configura a entrada no deserto, enquanto caminho penitencial da Igreja, em vista da Terra Prometida, simbolizada pela ressurreição de Cristo. Neste domingo, chamamos a atenção para a mensagem do nosso Arcebispo, o Cardeal Dom Odilo Pedro Sherer, no final deste folheto, convidando toda a Igreja de São Paulo a viver intensamente este período precioso de preparação para a Páscoa do Senhor.

 

1. ABERTURA (CD-CF 2009, fx 5 - XIV fx.4)

1. João Batista clamou no deserto: * “Preparai ao Senhor uma estrada, * eis que o reino de Deus está perto, * escutai, geração transviada!”

Mudai de vida, mudai, * convertei-vos de coração! * Fazei a vontade do Pai, * amai, servi aos irmãos, * fazei a vontade do Pai, * lutai por um mundo de irmãos; * fazei a vontade do Pai * o chão é de todos e o pão!

2. Jesus Cristo, o Filho de Deus, * batizado por João no Jordão, * inaugura o reino do Pai, * co’este santo e solene pregão:

3. Escutai, ó Igreja de Deus; * eis, o tempo da graça chegou, * e o Senhor da justiça que passa, * sua Páscoa entre nós começou.

 

2. SAUDAÇÃO

P. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

T. Amém.

P. A vós, irmãos, paz e fé da parte de Deus, o Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

T. Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

 

3. ATO PENITENCIAL

P. No tempo sagrado da Quaresma, somos convidados a morrer ao pecado e ressurgir para uma vida nova. Reconheçamo-nos necessitados da misericórdia do Pai.

(Silêncio)

P. Confessemos os nossos pecados:

T. Confesso a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos e irmãs, que pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa. E peço à Virgem Maria, aos anjos e santos e a vós, irmãos e irmãs, que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.

P. Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

T. Amém.

Kyrie

P. Senhor, tende piedade de nós.

T. Senhor, tende piedade de nós.

P. Cristo, tende piedade de nós.

T. Cristo, tende piedade de nós.

P. Senhor, tende piedade de nós.

T. Senhor, tende piedade de nós.

 

4. ORAÇÃO

P. Oremos (silêncio): Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa. Por N.S.J.C.

T. Amém.

Anim. O deserto é o lugar onde nada separa Jesus de Deus e, especialmente, o lugar onde Jesus busca o repouso da oração. Mas o deserto é também o lugar das tentações, que são provações para enfraquecer a busca da Terra Prometida. A vitória de Jesus sobre as tentações anuncia a Terra Prometida, onde toda a humanidade pode entrar, se for fiel à Aliança em Cristo, prefigurada pela Aliança com Abraão e Noé.

5.PRIMEIRA LEITURA (Gn 9,8-15)

Leitura do Livro do Gênesis

 8Disse Deus a Noé e a seus filhos: 9 “Eis que vou estabelecer minha aliança convosco e com vossa descendência, 10com todos os seres vivos que estão convosco: aves, animais domésticos e selvagens, enfim, com todos os animais da terra, que saíram convosco da arca. 11Estabeleço convosco a minha aliança: nunca mais nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio, e não haverá mais dilúvio para devastar a terra”. 12E Deus disse: “Este é o sinal da aliança que coloco entre mim e vós, e todos os seres vivos que estão convosco, por todas as gerações futuras. 13Ponho meu arco nas nuvens como sinal de aliança entre mim e a terra. 14Quando eu reunir as nuvens sobre a terra, aparecerá meu arco nas nuvens. 15Então eu me lembrarei de minha aliança convosco e com todas as espécies de seres vivos. E não tornará mais a haver dilúvio que faça perecer nas suas águas toda criatura”. - Palavra do Senhor.

T. Graças a Deus.

 

6. SALMO RESPONSORIAL Sl 25(24)

(CD XIV Fx5 , CF 2009 fx 9)

Verdade e amor são os caminhos do Senhor!

1. Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos * e fazei-me conhecer a vossa estrada! * Vossa verdade me oriente e me conduza, * porque sois o Deus da minha salvação.

2. Recordai, Senhor, meu Deus, vossa ternura * e a vossa compaixão que são eternas! * De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia * e sois bondade sem limites, ó Senhor!

3. O Senhor é piedade e retidão * e reconduz ao bom caminho os pecadores. * Ele dirige os humildes na justiça * e aos pobres ele ensina o seu caminho.

7. SEGUNDA LEITURA (1Pd 3,18-22)

Leitura da Primeira Carta de São Pedro

Caríssimos: 18Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo, pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito. 19No Espírito, ele foi também pregar aos espíritos na prisão, 20a saber, aos que foram desobedientes antigamente, quando Deus usava de longanimidade, nos dias em que Noé construía a arca. Nesta arca, umas poucas pessoas - oito - foram salvas por meio da água. 21À arca corresponde o batismo, que hoje é a vossa salvação. Pois o batismo não serve para limpar o corpo da imundície, mas é um pedido a Deus para obter uma boa consciência, em virtude da ressurreição de Jesus Cristo. 22Ele subiu ao céu e está à direita de Deus, submetendo-se a ele anjos, dominações e potestades.

- Palavra do Senhor.

T. Graças a Deus.

8. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

(CD CF 2009, Fx 12)

Louvor e glória a ti, Senhor, * Cristo, palavra de Deus! * Cristo, palavra de Deus!

O homem não vive somente de pão, * mas de toda palavra da boca de Deus.

 

9. EVANGELHO (Mc 1,12-15)

P. O Senhor esteja convosco.

T. Ele está no meio de nós.

P. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.

T. Glória a vós Senhor.

P. Naquele tempo, 12o Espírito levou Jesus para o deserto. 13E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e ali foi tentado por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam. 14Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galiléia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15”O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”

– Palavra da salvação.

T. Glória a vós, Senhor.

 

10. PROFISSÃO DE FÉ

P. Creio em Deus Pai todo-poderoso / T. criador do céu e da terra, / e em Jesus Cristo seu único Filho, nosso Senhor, / que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; /nasceu da Virgem Maria;/ padeceu sob Pôncio Pilatos, / foi crucificado, morto e sepultado. / Desceu à mansão dos mortos; / ressuscitou ao terceiro dia, / subiu aos céus; / está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, / donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. / Creio no Espírito Santo; / na Santa Igreja católica; / na comunhão dos santos; / na remissão dos pecados; / na ressurreição da carne; / na vida eterna.

T. Amém.

 

11. ORAÇÃO DOS FIÉIS

P. No seguimento do caminho quaresmal, supliquemos ao Pai que nos conceda a graça de aprofundar a conversão do coração, para modificarmos as estruturas injustas e violentas que permeiam nossa sociedade. Rezemos juntos:

T. Não nos deixeis, ó Pai, cair em tentação.

1. Protegei a Santa Igreja contra todas as tentações de afastar-se da fidelidade ao Cristo e do serviço à humanidade.

2. Que as agruras do deserto, representado por um mundo pautado pela economia e não pela fraternidade, não derrotem nossos sonhos de justiça e de paz, nós vos pedimos.

3. Que todo o tipo de violência seja debelado, para que haja segurança pública, nós vos pedimos.

4. Que as vítimas de agressões corporais ou morais encontrem no poder público respaldo e apoio, nós vos pedimos.

5. Que as crianças e os indefesos tenham a proteção de toda a sociedade, nos vos pedimos.

6. Que esta Quaresma seja um caminho pedagógico que conduza à Páscoa da libertação da violência e da corrupção, nos vos pedimos.

P. Tudo isso vos pedimos, ó Pai, por Cristo, nosso Senhor.

T. Amém.

12. APRESENTAÇÃO DAS OFERENDAS (CF - 2009, Fx 13)

Eis o tempo de conversão, * eis o dia da salvação: * Ao Pai voltemos, juntos andemos. * Eis o tempo de conversão!

1a. Os caminhos do Senhor * são verdade, são amor: * dirigi os passos meus: * em vós espero, Ó Senhor!

b. Ele guia ao bom caminho * quem errou e quer voltar: * Ele é bom, fiel e justo: * Ele busca e vem salvar. (Sl. 25)

2a. Viverei com o Senhor: * Ele é o meu sustento. * Eu confio, mesmo quando * minha dor não mais agüento.

b. Tem valor aos olhos seus * meu sofrer e meu morrer: * libertai o vosso servo * e fazei-o reviver! (Sl. 116)

3a. A Palavra do Senhor * é a luz do meu caminho; * Ela é vida, é alegria: * vou guardá-la com carinho.

b. Sua lei, seu mandamento * é viver a caridade: * Caminhemos todos juntos, * construindo a unidade! (Sl. 119)

 

13. ORAÇÃO

P. Orai, irmãos e irmãs, ...

T. Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para glória do seu nome, para nosso bem e de toda a santa Igreja.

(Sobre as oferendas)

P. Fazei, ó Deus, que o nosso coração corresponda a estas oferendas com as quais iniciamos nossa caminhada para a páscoa. Por Cristo, nosso Senhor.

T. Amém.

 

14. ORAÇÃO EUCARÍSTICA II

(Pref. p.181)

P. O Senhor esteja convosco.

T. Ele está no meio de nós.

P. Corações ao alto.

T. O nosso coração está em Deus.

P. Demos graças ao Senhor nosso Deus.

T. É nosso dever e nossa salvação.

P. Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor Pai Santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo Senhor nosso. Jejuando quarenta dias no deserto, Jesus consagrou a observância quaresmal. Desarmando as ciladas do antigo inimigo, ensinou-nos a vencer o fermento da maldade. Celebrando agora o mistério pascal, nós nos preparamos para a Páscoa definitiva. Enquanto esperamos a plenitude eterna, com os anjos e todos os santos, nós vos aclamamos, cantando (dizendo) a uma só voz:

 CD CF 2009 Fx 15

Santo, Santo, Santo, * Senhor Deus do universo! * O céu e a terra proclamam * a vossa glória. * Hosana nas alturas! * Bendito o que vem * em nome do Senhor! * Hosana nas alturas!

CP. Na verdade, ó Pai, vós sois santo e fonte de toda santidade.

CC.Santificai, pois, estas oferendas, derramando sobre elas o vosso Espírito, a fim de que se tornem para nós o Corpo V e o Sangue de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso.

T. Santificai nossa oferenda, ó Senhor!

Estando para ser entregue e abraçando livremente a paixão, ele tomou o pão, deu graças e o partiu e deu a seus discípulos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E COMEI: ISTO É O MEU CORPO, QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.

Do mesmo modo, ao fim da ceia, ele tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente, e o deu a seus discípulos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E BEBEI: ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE, O SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR TODOS, PARA REMISSÃO DOS PECADOS. FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.

Eis o mistério da fé!

T. Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!

CC. Celebrando, pois, a memória da morte e ressurreição do vosso Filho, nós vos oferecemos, ó Pai, o pão da vida e o cálice da salvação; e vos agradecemos porque nos tornastes dignos de estar aqui na vossa presença e vos servir.

T. Recebei, ó Senhor, a nossa oferta!

P. E nós vos suplicamos que, participando do Corpo e Sangue de Cristo, sejamos reunidos pelo Espírito Santo num só corpo.

T. Fazei de nós um só corpo e um só espírito!

1C. Lembrai-vos, ó Pai, da vossa Igreja que se faz presente pelo mundo inteiro: que ela cresça na caridade, com o Papa Bento, com o nosso bispo Odilo e todos os ministros do vosso povo.

T. Lembrai-vos, ó Pai da vossa Igreja!

2C. Lembrai-vos também dos nossos irmãos e irmãs que morreram na esperança da ressurreição e de todos os que partiram desta vida: acolhei-os junto a vós na luz da vossa face.

T. Lembrai-vos, ó Pai, dos vossos filhos!

3C.Enfim, nós vos pedimos, tende piedade de todos nós e dai-nos participar da vida eterna, com a Virgem Maria, Mãe de Deus, com os santos Apóstolos e todos os que neste mundo vos serviram, a fim de vos louvarmos e glorificarmos por Jesus Cristo, vosso Filho.

T. Concedei-nos o convívio dos eleitos!

CP ou CC. Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre.

T. Amém.

15. PAI NOSSO

 

16. CANTO DE COMUNHÃO Sl 90(91)

(CF2009 fx 19 -CD Liturgia XIII, fx7)

Agora, o tempo se cumpriu, * o reino já chegou,* irmãos, convertam-se* e creiam firmes no Evangelho!

1. Feliz aquele homem que não anda * conforme os conselhos dos perversos;

2. Que não entra no caminho dos malvados * nem junto aos zombadores vai sentar-se;

3. Mas encontra seu prazer na lei de Deus * e a medita, dia e noite, sem cessar.

4. Eis que ele é semelhante a uma árvore * que à beira da torrente está plantada;

5. Ela sempre dá seus frutos a seu tempo * e jamais as suas folhas vão murchar.

6. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, * mas a estrada dos malvados leva à morte.

 

17. ORAÇÃO APÓS A COMUNHÃO

P. Oremos (silêncio): Ó Deus, que nos alimentastes com este pão que nutre a fé, incentiva a esperança e fortalece a caridade, dai-nos desejar o Cristo, pão vivo e verdadeiro, e viver de toda palavra que sai de vossa boca. Por Cristo, nosso Senhor.

T. Amém.

18. ORAÇÃO Ao Nosso Patrono

T. Ó São Paulo, /Patrono de nossa Arquidiocese, /discípulo e missionário de Jesus Cristo:/ ensina-nos a acolher a Palavra de Deus / e abre nossos olhos à verdade do Evangelho./ Conduze-nos ao encontro com Jesus, / contagia-nos com a fé que te animou/ e infunde em nós coragem e ardor missionário, / para testemunharmos a todos / que Deus habita esta Cidade imensa /e tem amor pelo seu povo! /Intercede por nós e pela Igreja de São Paulo, / ó santo apóstolo de Jesus Cristo! Amém

 

19. BÊNÇÃO E DESPEDIDA

(MR. p. 521)

P. O Senhor esteja convosco.

T. Ele está no meio de nós.

P. Deus, Pai de misericórdia, conceda a todos vós, como concedeu ao filho pródigo, a alegria do retorno à casa.

T. Amém.

P. O Senhor Jesus Cristo, modelo de oração e de vida, vos guie nesta caminhada quaresmal a uma verdadeira conversão.

T. Amém.

P. O Espírito de sabedoria e fortaleza vos sustente na luta contra o mal, para poderdes com Cristo celebrar a vitória da Páscoa.

T. Amém.

P. Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho V e Espírito Santo.

T. Amém.

P. Ide em paz, e o Senhor vos acompanhe.

T. Graças a Deus.

 

20. Hino da CF 2009 Fx1

1. Ó povo meu, chegou a mim o teu lamento, * conheço o medo e a insegurança em que estás. * Eu venho a ti, sou tua força e teu alento. * Vou te mostrar caminho novo para a paz.

Onde pões tua confiança? * Segurança, quem te traz? * É o amor que tudo alcança; * só a justiça gera a paz!

2. Quando o direito habitar a tua casa, * quando a justiça se sentar à tua mesa, * a segurança há de brincar em tuas praças; * enfim, a paz demonstrará sua beleza.

 

Músicas: HL 2 - CF 2009

 

LEITURAS DA SEMANA: de 2 a 8 de março de 2009

 

l: Lv 19, 1-2.11-18; Sl 18(19), 8. 9. 10. 15 (R/. Jo 6, 63c); Mt 25, 31-46

l: Is 55, 10-11; Sl 33 (34), 4-5. 6-7. 16-17. 18-19 (R/. 18b); Mt 6, 7-15

l: Jn 3, 1-10; Sl 50 (51), 3-4. 12-13. 18-19 (R/. 19 b); Lc 11, 29-32

l: Est 4, 17n.r.aa-bb.gg-hh; Sl 137 (138), 1-2a. 2bc-3.7c-8 (R/. 3a); Mt 7,7-12

l: Ez 18, 21-28; Sl 129 (130), 1-2. 3-4ab. 4c-6. 7-8 (R/. 3); Mt 5, 20-26

lSáb.: Dt 26, 16-19; Sl 118 (119), 1-2. 4-5. 7-8 (R/. 1b); Mt 5, 43-48

l2º DOM. DA QUARESMA: Gn 22,1-2.9a10-13.15-18; Sl 115(116),10.15.16-17.18-19 (R/. Sl 114,9); Rm 8,31b-34; Mc 9,2-10

 

Mensagem para a Quaresma!

 

Queridos irmãos e irmãs em Cristo, iniciamos no tempo litúrgico tão precioso da Quaresma. Quero, pois, dirigir-lhes uma palavra, como pastor da Igreja que vive nesta cidade imensa de São Paulo, para convidar todos a viverem intensamente esse período precioso de preparação para a Páscoa do Senhor.

A Igreja nos propõe, desde os tempos apostólicos, os “exercícios quaresmais” para aprofundar nossa fé e fortalecer nossa adesão a Cristo durante este tempo litúrgico; assim nos convida a intensificar essas três práticas fundamentais: o “jejum” (toda forma de penitência), a “esmola” (toda forma de caridade) e a “oração” (toda forma de busca de Deus).

A Campanha da Fraternidade deste ano, com o tema - Fraternidade e Segurança Pública -, e com o lema - A paz é fruto da justiça (Is 32,17) – nos propõe uma questão importante, que nos deve envolver nesta Quaresma. A violência difusa na convivência humana é um sério problema em nosso País; aqui morre mais gente cada ano, de morte “matada”, que em qualquer guerra em curso no mundo! Isso deve ser uma preocupação para todos e levar-nos a ações concretas, para superar a violência e para promover uma convivência respeitosa dos direitos humanos, sobretudo em relação à integridade física e moral do próximo e ao respeito pela sua vida. É muito triste ouvir com freqüência histórias de chacinas em nossa cidade e de muitíssimas mortes por violência, sobretudo de jovens! Dá para mudar isso?

É verdade que a segurança pública é, antes de tudo, um dever do Estado; e os cidadãos têm o direito de esperar isso do Estado. Mas essa tarefa só será eficiente se contar com participação da população. A segurança vem do respeito ao próximo, à sua dignidade, seus direitos e seus bens, e pela renúncia à violência, como forma de solucionar conflitos. A violência não garante a paz e gera mais violência. Se não estivermos atentos, a violência instala-se no coração, como uma predisposição sempre pronta a explodir, e acaba fazendo parte dos hábitos diários e da cultura da sociedade.

A segurança de todos, especialmente dos indefesos e frágeis, é tarefa de todos, a ser construída com fraternidade e com a virtude de cada um. Jesus garante que os construtores da paz têm motivos para estarem felizes, pois são reconhecidos por Deus como seus filhos (cf Mt 5,9). Ao contrário disso, como ensina São Paulo, nosso Patrono, os injustos e todos os que promovem ações que levam à violência “não herdarão o reino de Deus” (cf 1Cor. 6,9-10).

Esta Quaresma, portanto, é ocasião para darmos um testemunho público de que somos “discípulos e missionários” Daquele que nos mandou anunciar e testemunhar o Evangelho da Paz a todos. Os cristãos não apenas devem ser contrários a toda forma de violência, mas também ser promotores da justiça, testemunhas de fraternidade e tecedores de boas relações humanas na convivência social. Convido todos a animarem a Campanha da Fraternidade, de muitas maneiras e com muitas iniciativas concretas. Promovamos a cultura da não-violência e da paz.

Ouvindo os apelos de Deus, façamos nosso caminho de penitência, conversão e fraternidade, que também deve levar ao “gesto concreto” da Coleta da Fraternidade, no Domingo de Ramos.

Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de S.Paulo