Em 2010, um dos grandes
eventos da Arquidiocese de
São Paulo será o 1º Congresso
de Leigos, cujo tema é
“Cristãos Leigos discípulos
missionários de Jesus Cristo
na cidade de São Paulo”, que
será iluminado pelo lema
“Vós sois o sal da terra...Vós
sois a luz do mundo” (Mt
5,13.14) que buscará animar
o laicato a assumir a missão
cristã permanente nesta cidade
cosmopolita.
Neste importante evento
eclesial que trará muitos frutos,
não só para a nossa Igreja
local, mas também para a
Igreja na sua catolicidade,
trago em
mente o Sínodo
Ordinário de 1988, realizado
em Roma, sobre “Os fiéis
leigos cristãos e sua missão
no mundo”, no qual tive o
privilégio de trabalhar dentro
do anfiteatro da sala Paulo 6º,
junto aos padres de língua latina
e francesa e acompanhar,
durante um mês inteiro, este
acontecimento memorável.
Mesmo, sob sigilo pontifício,
sei que posso relatar que a
primeira grande preocupação
dos padres sinodais, no início,
era com relação à terminologia
leigo esta que, embora
já ratificada na “Tradição
Cristã”, foi motivo de inúmeras
intervenções, todas elas
sublinhando o mesmo enfoque:
O termo leigo tornou-se
inadequado para o tempo
atual pela sua ambiguidade
semântica. A proposta era a
de se utilizar à expressão fiéis
cristãos
não-ordenados.
No contexto, tal preocupação
parecia ser inexpressiva,
pois o objetivo do Sínodo
era o de acentuar a missão
do laicato cristão no mundo.
No entanto, em meio das
conversas com muitos dos
padres ali presentes, estes
me explicaram a devida importância
de tal reflexão, pois
tal fator terminológico que
propunham estava embutido
na eclesiologia do Concílio do
Vaticano 2º.
Abrindo a Constituição
Dogmática “Lumen Gentium”
e analisando-a profundamente
na sua estrutura,
nota-se que os dois primeiros
capítulos constituem a chave
de toda a eclesiologia do Vaticano
2º. O primeiro capítulo
– Mistério da Igreja – traznos
à consciência de que a
Igreja é mistério derivado
do
mistério da Santíssima
Trindade. Neste, os padres
conciliares declinaram as
várias imagens da Igreja (LG
6) e acentuaram, em seguida,
a imagem da “Igreja, Corpo
Místico de Cristo” (LG 7).
Porém, no segundo capítulo,
a imagem expressiva e nova
é a do Povo de Deus, isto
porque na LG 2 se afirma:
“Desde a origem do mundo
a Igreja foi prefigurada.
Admiravelmente preparada
na história do povo de Israel
e na antiga aliança. Fundada
nos últimos tempos,
manifestada pela efusão do
Espírito Santo e, no fim, dos
tempos, segundo se lê nos
santos padres, será gloriosamente
consumada quando os
justos, desde Adão, do justo
Abel até
o último