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Semanário da Arquidiocese de São Paulo - Ano 54 • nº 2783 • 26 de janeiro de 2010

Edição 26.jan.2010

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crédito foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Edição especial
sobre o Centenário
da Arquidiocese
de São Paulo

 

 

Pastorais

 

 

 

 

Padre José Arnaldo Juliano dos Santos

é professor de Eclesiologia na

Arquidiocese de São Paulo

 

 

A Igreja é toda ministerial

 

Em 2010, um dos grandes

eventos da Arquidiocese de

São Paulo será o 1º Congresso

de Leigos, cujo tema é

“Cristãos Leigos discípulos

missionários de Jesus Cristo

na cidade de São Paulo”, que

será iluminado pelo lema

“Vós sois o sal da terra...Vós

sois a luz do mundo” (Mt

5,13.14) que buscará animar

o laicato a assumir a missão

cristã permanente nesta cidade

cosmopolita.

Neste importante evento

eclesial que trará muitos frutos,

não só para a nossa Igreja

local, mas também para a

Igreja na sua catolicidade,

trago em mente o Sínodo

Ordinário de 1988, realizado

em Roma, sobre “Os fiéis

leigos cristãos e sua missão

no mundo”, no qual tive o

privilégio de trabalhar dentro

do anfiteatro da sala Paulo 6º,

junto aos padres de língua latina

e francesa e acompanhar,

durante um mês inteiro, este

acontecimento memorável.

Mesmo, sob sigilo pontifício,

sei que posso relatar que a

primeira grande preocupação

dos padres sinodais, no início,

era com relação à terminologia

leigo esta que, embora

já ratificada na “Tradição

Cristã”, foi motivo de inúmeras

intervenções, todas elas

sublinhando o mesmo enfoque:

O termo leigo tornou-se

inadequado para o tempo

atual pela sua ambiguidade

semântica. A proposta era a

de se utilizar à expressão fiéis

cristãos não-ordenados.

No contexto, tal preocupação

parecia ser inexpressiva,

pois o objetivo do Sínodo

era o de acentuar a missão

do laicato cristão no mundo.

No entanto, em meio das

conversas com muitos dos

padres ali presentes, estes

me explicaram a devida importância

de tal reflexão, pois

tal fator terminológico que

propunham estava embutido

na eclesiologia do Concílio do

Vaticano 2º.

Abrindo a Constituição

Dogmática “Lumen Gentium”

e analisando-a profundamente

na sua estrutura,

nota-se que os dois primeiros

capítulos constituem a chave

de toda a eclesiologia do Vaticano

2º. O primeiro capítulo

– Mistério da Igreja – traznos

à consciência de que a

Igreja é mistério derivado

do mistério da Santíssima

Trindade. Neste, os padres

conciliares declinaram as

várias imagens da Igreja (LG

6) e acentuaram, em seguida,

a imagem da “Igreja, Corpo

Místico de Cristo” (LG 7).

Porém, no segundo capítulo,

a imagem expressiva e nova

é a do Povo de Deus, isto

porque na LG 2 se afirma:

“Desde a origem do mundo

a Igreja foi prefigurada.

Admiravelmente preparada

na história do povo de Israel

e na antiga aliança. Fundada

nos últimos tempos,

manifestada pela efusão do

Espírito Santo e, no fim, dos

tempos, segundo se lê nos

santos padres, será gloriosamente

consumada quando os

justos, desde Adão, do justo

Abel até o último

 

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