Dom Milton, seja bem-vindo!
Estimado irmão Dom Milton:
Hoje, 25 de janeiro, o senhor toma posse do seu oficio de Bispo auxiliar na
Arquidiocese de São Paulo. Seja bem-vindo à nossa Igreja arquidiocesana, que o
recebe de braços abertos e agradece a Deus por tê-lo enviado para nós. Deus o
chamou para o episcopado e lhe dará a assistência do Espírito Santo para exercer
o ministério pastoral, que é “amoris officium” – serviço de amor às
ovelhas, cujo Pastor bom e carinhoso é antes e acima de todos, o próprio Deus.
A cidade de São Paulo comemora neste dia seu aniversário e a Arquidiocese
celebra a solenidade do seu Patrono, o grande apóstolo São Paulo. Isto tem um
significado muito especial. Esta metrópole nasceu, há 456 anos, ao redor de uma
missão religiosa dos padres jesuítas; entre seus fundadores estão os
missionários, Manuel da Nóbrega e o beato José de Anchieta. Confiaram a missão e
a aldeia que nascia sob o patrocínio do Apóstolo dos povos; daquela missão, que
tinha seu centro numa humilde capela e numa escola, o Evangelho haveria de se
irradiar sobre a vida dos povos que habitavam o Planalto de Piratininga.
Eles e muitos outros, depois deles, fizeram-no ao longo dos séculos com
generosidade e abnegação, entre os indígenas ou os colonizadores portugueses,
entre os africanos para cá trazidos como escravos e seus descendentes; entre os
muitos imigrados estrangeiros ou imigrantes brasileiros que, ao longo do século
XX, transformaram a cidade pacata na metrópole complexa e dinâmica de hoje. Ao
longo dos séculos, muitos missionários anunciaram aqui o Evangelho e
testemunharam a caridade de Cristo no meio do povo de maneira extraordinária e
marcaram esta terra com sua vida santa, como os Padres Anchieta e Mariano, Frei
Galvão e Madre Paulina.
Esta Igreja foi agraciada pelo Espírito de Deus com muitos dons e carismas,
presentes em milhões de leigos e leigas, nos consagrados e consagradas a Deus na
vida religiosa, nas muitas associações de fiéis, organizações pastorais e obras
sociais e caritativas. Foi e é servida por generosos sacerdotes e diáconos, por
zelosos pastores de cujo oficio e graça somos nós hoje herdeiros e continuadores.
Seja, pois, bem-vindo, para ser pastor desta igreja também. Inspira-nos muito o
exemplo e o ardor missionário do Apóstolo São Paulo, nosso Patrono; neste tempo,
acolhendo a voz de Deus que se fez ouvir em Aparecida, queremos ser, mais e
melhor, uma Igreja discípula e missionária nesta imensa metrópole paulistana.
Estimado Dom Milton, nesta messe do Senhor, que é muito extensa confiamos-lhe
especialmente o cuidado pastoral da Região Episcopal Brasilândia para que, com
os sacerdotes e diáconos que o auxiliarão, possa servi-la na caridade de Cristo
e com os dons do Evangelho. Na Brasilândia, um povo numeroso está a sua espera,
para tê-lo como pai e pastor bem próximo. Deus o ilumine e inspire na sua
missão. Contará também com a ajuda de generosos sacerdotes e diáconos, muitos
religiosos e religiosas e tantos leigos e agentes de pastoral bem dispostos.
Como Arcebispo estou muito feliz por tê-lo como irmão querido e por contar com
sua preciosa ajuda no serviço a esta Igreja de São Paulo. Trabalharemos juntos e
compartilharemos as responsabilidades da condução e animação desta grande
comunidade eclesial, junto com os demais bispos auxiliares que já servem a esta
arquidiocese e formam o seu Conselho Episcopal.
Somos impelidos pelo mandato recebido e pela caridade de Cristo, Pastor dos
Pastores; somos urgidos e consumidos cada dia pela grandeza da missão e a
variedade dos encargos e desafios pastorais. Somos estimulados pelo exemplo e a
sabedoria dos grandes e zelosos pastores, que temos a graça de suceder no
serviço a esta querida Igreja de São Paulo.
Estimado Dom Milton, Aquele, em cujas mãos você confiou na vida e seu ministério
episcopal, esteja com você todos os dias e lhe dê a paz. Fraternalmente:
Card. Dom Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo.
Artigo
publicado em O SÃO PAULO, ed 26.01.2010