A Igreja é um organismo rico e vital
Publicamos as palavras que
Bento 16 dirigiu aos peregrinos que
oraram com ele a oração mariana do
Ângelus. No domingo, 24 de janeiç
ro, na praça de São Pedro.
Caros irmãos e irmãs!
Dentre as leituras bíblicas da liturgia
de hoje, há o célebre texto da
Primeira Carta aos Coríntios, na qual
São Paulo compara a Igreja ao corpo
humano. Assim escreve o apóstolo:
“Como o corpo é um, embora tenha
muitos membros, e como todos os
membros do corpo, embora sejam
muitos, formam um só corpo, assim
também acontece com Cristo. De
fato, todos nós, judeus ou gregos,
escravos ou livres, fomos batizados
num só Espírito, para formarmos
um só corpo, e todos nós bebemos
de um único Espírito” (1 Cor 12,12-
13). A Igreja é concebida como um
corpo, do qual Cristo é a cabeça,
e que com Ele constitui um todo.
Todavia, o que o apóstolo pretende
comunicar é a idéia de unidade
na
multiplicidade dos carismas,
que são os dons do Espírito Santo.
Graças a estes, a Igreja se apresenta
como um organismo rico e vital, não
uniforme, fruto do único Espírito
que conduz a todos a uma unidade
profunda, assumindo a diversidade
sem a abolir, e realizando assim um
conjunto harmonioso. Ela prolonga
através da história a presença do Senhor
ressuscitado, em particular por
meio dos sacramentos, da Palavra
de Deus, dos carismas e ministérios
distribuídos pela comunidade.
Portanto, é precisamente em Cristo
e no Espírito que a Igreja é una e
santa, isto é, numa comunhão íntima
que transcende as capacidades
humanas e as sustenta.
Gosto de sublinhar este aspecto
no momento em que vivemos a
“Semana de oração pela unidade
dos cristãos”, que se conclui amanhã
[dia 25], ocasião da Festa de
Conversão de São Paulo. Seguindo
a tradição, celebrarei, durante a tarde,
a Oração das Vésperas do lado
de fora da Basílica de São Paulo,
com a participação de representantes
de outras Igrejas e Comunidades
eclesiais
de Roma.
Invocaremos ao Senhor o dom
da plena unidade entre todos os
discípulos de Cristo, e em particular,
de acordo com o tema deste
ano, renovaremos nosso empenho
em sermos, conjuntamente, testemunhas
do Cristo crucificado e
ressuscitado (cf Lc 24,48). A comuesta
nhão dos cristãos, de fato, confere
credibilidade e torna mais eficaz o
anúncio do Evangelho, conforme
afirmou o próprio Jesus, ao orar ao
Pai na vigília de sua morte: “Que
todos sejam um, como tu, Pai, estás
em mim, e eu em ti. Que eles estejam
em nós, a fim de que o mundo
creia” (Gv 17,21).
Por fim, queridos amigos, gostaria
de recordar a figura de São
Francisco de Sales, cuja memória
litúrgica é celebrada em 24 de
janeiro. Nascido em Sabóia, em
1567, estudou direito em Pádua e
em Paris e, chamado pelo Senhor,
tornou-se sacerdote. Dedicou-se
com grande fruto à pregação e
formação espiritual dos fiéis, ensinando
que o chamado à santidade
é para todos e que cada um – como
diz São Paulo em sua comparação
com o corpo – tem seu lugar na
Igreja. São Francisco de Sales é o
santo padroeiro dos jornalistas e da
imprensa católica.
À sua assistência espiritual, conp
fio a Mensagem para o Dia Mundial
das Comunicações Sociais, que
assino todos os anos nesta ocasião,
e que foi há pouco divulgada no
Vaticano.
Que a Virgem Maria, Mãe da
Igreja, permita-nos progredir sempre
em comunhão, para transmitir
a beleza de ser algo único, na unidade
do Pai, do Filho e do Espírito
Santo.