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Semanário da Arquidiocese de São Paulo - Ano 54 • nº 2783 • 26 de janeiro de 2010

Edição 26.jan.2010

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Edição especial
sobre o Centenário
da Arquidiocese
de São Paulo

 

 

Editorial

    

Pensemos nas crianças haitianas e brasileiras

 

A tragédia que se abateu sobre o

já sofrido povo do Haiti mexeu com

o mundo inteiro. Homens e mulheres

de boa-vontade imediatamente

arregaçaram as mangas para ajudar

de algum modo as vítimas do terremoto

e minimizar o quanto possível

o sofrimento delas. Paradoxalmente,

o que se configura como desgraça, de

repente, suscita a compaixão que,

como a palavra diz, faz com que a dor

do próximo doa em nós. A esperança

de um mundo melhor brilha bem

mais forte. Nem tudo está perdido...

A dor e os bens compartilhados com

quem perdeu tudo permitem crer

que nem tudo está perdido e apontam

para caminhos que, trilhados,

levam a um mundo melhor.

Entre as muitas iniciativas ditadas

pela compaixão, pela solidariedade,

uma vem ganhando força. É aquela

que pretende dar uma família às

crianças haitianas que perderam suas

famílias, seus pais. O tema da adoção

dessas crianças cresce e já é assunto

presente nos meios de comunicação.

Trata-se de uma belíssima iniciativa.

Aquelas crianças precisam mesmo

ser acolhidas por famílias que lhes

garantam o amor, a ternura, a proteção,

a segurança que recebiam de

seus pais e agora não recebem mais,

por força da tragédia.

A beleza deste gesto que muitos

se dispõem a fazer, porém, merece

uma reflexão. É preciso pensar sobre

milhares de crianças negras do nosso

Brasil que estão crescendo em casas

de apoio, à espera de uma família

que as adote. Dói ver a resposta que

muitas destas crianças dão a quem

lhes pergunta sobre seu maior sonho:

“Ser adotado, ser adotada, ter uma

família”.

Pensemos nas crianças do Haiti,

feitas órfãs, por um inesperado e

violento terremoto. Que o rosto

triste daquelas crianças incomode o

mundo, incomode também a muitos

casais do nosso Brasil. Não nos esqueçamos,

porém, de nossas crianças

brasileiras, feitas órfãs, pela pobreza,

pelo desamor, pela violência familiar,

pelo abandono de pais e mães e pelo

preconceito que privilegia crianças

brancas e louras, e deixam de lado

as negras. O terremoto do abandono

dói tanto quanto o abalo sísmico que

destruiu o pobre Haiti.

Por todas as crianças do mundo,

pelas crianças feridas física e psicologicamente

pelo terremoto que

arrasou o Haiti, e particularmente

pelas crianças carentes do nosso

Brasil, interceda doutora Zilda Arns,

que não excluiu ninguém no seu

carinho de mãe.

 

 

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