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Pastorais

Osvaldo de Andrade é agente da
Pastoral
Operária
O trabalho é a medida de todas as coisas!
Desde os primórdios da história humana na Terra, o
trabalho se constituiu num dos elementos centrais da
organização social e econômica, passando a moldar e
a plasmar o conjunto da sociedade humana, tornando-se
uma grande força social e econômica impulsionadora
do desenvolvimento e da evolução cultural dos seres
humanos e da própria sociedade. Por essa razão,
tornou-se uma chave fundamental para compreender a
vida social dos seres humanos e todos os aspectos
das sociedades de todas as épocas e de todos os
tempos. Estudiosos da sociedade humana continuam se
debruçando sobre o trabalho, pois entendem que esse
tema é a chave para explicação das mudanças e
transformações que ocorreram no passado e
continuam ocorrendo com os seres humanos e, por
conseqüência, nas sociedades e culturas humanas. O
trabalho é algo transparente, pois está presente em
tudo ou em quase tudo que existe e que vemos,
sentimos e percebemos em nossa vida cotidiana, em
todos os momentos e lugares que nos situamos ou nos
colocamos. Manifesta-se em todas as coisas que estão
ao nosso redor e por meio delas, o tempo inteiro, em
todos os aspectos e elementos sociais, culturais e
econômicos do nosso mundo atual. Enfim, está em
todas as áreas da vida social e coletiva dos seres
humanos, sempre integrando e interligando tais áreas
(social, cultural, religiosa, econômica e política).
Nós, trabalhadores, vemos e percebemos por meio das
relações sociais que estão estabelecidas, dos fatos
sociais e da realidade econômica como funcionam as
sociedades que historicamente se estruturaram nos
moldes do modo de produção capitalista: os
trabalhadores, que são detentores de força de
trabalho e os principais agentes criadores de
valores, riquezas e bens nestas sociedades, são
superexplorados pelos seus patrões (donos dos meios
de produção, das mercadorias e dos bens econômicos),
os quais submetem a classe trabalhadora inteira a
jornadas e ritmos de trabalho cansativo e estafante,
condições precárias de trabalho, salários baixos,
regime rigoroso de disciplina, direitos mínimos e
liberdade controlada e vigiada. Em suma, os
trabalhadores são produtores das riquezas nacionais,
porém, apenas sobrevivem nesta sociedade. Muitos
acabam morrendo depois dos 50 anos de vida por
fatores diretos ou indiretos relacionados muitas
vezes aos trabalhos e às atividades profissionais
desempenhas durante 30 anos ou mais. Os patrões não
abrem mão dessa forma de explorar a força de
trabalho dos trabalhadores, demonstrando grande
ganância e ambição por maiores lucros e aumento de
capitais. Controlam a força de trabalho e conduzem
racionalmente todo o processo de produção e o
conjunto da economia capitalista de acordo com sua
ganância e os seus interesses. Dessa forma, não
possibilitam a distribuição dos bens e dos frutos
produzidos pelos trabalhadores, os quais são os
verdadeiros produtores dos bens e das riquezas de um
país. Por essa razão, o trabalho tornou-se a medida
de todas as coisas e converteu seu principal agente
e sujeito, o trabalhador, em particular, e sua
classe social, protagonistas capazes de provocar e
desencadear grandes transformações sociais e
políticas no interior da sociedade e no conjunto do
país.
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