Semanário da Arquidiocese de São Paulo - Ano 53 • nº 2713 • 02 de setembro de 2008

Edição 02.set.2008

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O trabalho é a medida de todas as coisas!

 

Desde os primórdios da história humana na Terra, o trabalho se constituiu num dos elementos centrais da organização social e econômica, passando a moldar e a plasmar o conjunto da sociedade humana, tornando-se uma grande força social e econômica impulsionadora do desenvolvimento e da evolução cultural dos seres humanos e da própria sociedade. Por essa razão, tornou-se uma chave fundamental para compreender a vida social dos seres humanos e todos os aspectos das sociedades de todas as épocas e de todos os tempos. Estudiosos da sociedade humana continuam se debruçando sobre o trabalho, pois entendem que esse tema é a chave para explicação das mudanças e transformações que ocorreram no passado e  continuam ocorrendo com os seres humanos e, por conseqüência, nas sociedades e culturas humanas. O trabalho é algo transparente, pois está presente em tudo ou em quase tudo que existe e que vemos, sentimos e percebemos em nossa vida cotidiana, em todos os momentos e lugares que nos situamos ou nos colocamos. Manifesta-se em todas as coisas que estão ao nosso redor e por meio delas, o tempo inteiro, em todos os aspectos e elementos sociais, culturais e econômicos do nosso mundo atual. Enfim, está em todas as áreas da vida social e coletiva dos seres humanos, sempre integrando e interligando tais áreas (social, cultural, religiosa, econômica e política). Nós, trabalhadores, vemos e percebemos por meio das relações sociais que estão estabelecidas, dos fatos sociais e da realidade econômica como funcionam as sociedades que historicamente se estruturaram nos moldes do modo de produção capitalista: os trabalhadores, que são detentores de força de trabalho e os principais agentes criadores de valores, riquezas e bens nestas sociedades, são superexplorados pelos seus patrões (donos dos meios de produção, das mercadorias e dos bens econômicos), os quais submetem a classe trabalhadora inteira a jornadas e ritmos de trabalho cansativo e estafante, condições precárias de trabalho, salários baixos, regime rigoroso de disciplina, direitos mínimos e liberdade controlada e vigiada. Em suma, os trabalhadores são produtores das riquezas nacionais, porém, apenas sobrevivem nesta sociedade. Muitos acabam morrendo depois dos 50 anos de vida por fatores diretos ou indiretos relacionados muitas vezes aos trabalhos e às atividades profissionais desempenhas durante 30 anos ou mais. Os patrões não abrem mão dessa forma de explorar a força de trabalho dos trabalhadores, demonstrando grande ganância e ambição por maiores lucros e aumento de capitais. Controlam a força de trabalho e conduzem racionalmente todo o processo de produção e o conjunto da economia capitalista de acordo com sua ganância e os seus interesses. Dessa forma, não possibilitam a distribuição dos bens e dos frutos produzidos pelos trabalhadores, os quais são os verdadeiros produtores dos bens e das riquezas de um país. Por essa razão, o trabalho tornou-se a medida de todas as coisas e converteu seu principal agente e sujeito, o trabalhador, em particular, e sua classe social, protagonistas capazes de provocar e desencadear grandes transformações sociais e políticas no interior da sociedade e no conjunto do país.

           

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