Semanário da Arquidiocese de São Paulo - Ano 53 • nº 2713 • 02 de setembro de 2008

Edição 02.set.2008

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Para o cristão, a cruz

não é uma opção

 

 

 

 

Publicamos a intervenção pronunciada por Bento 16 este domingo, ao meio-dia, quando presidiu à oração mariana do Ângelus no pátio do palácio apostólico de Castel Gandolfo. Refletindo sobre o mistério da cruz o Papa afirma que “omo aconteceu com Cristo, também para os cristãos carregar a cruz não é opcional, mas uma missão que se tem de abraçar por amor”. Queridos irmãos e irmãs: Também hoje, no Evangelho, aparece em primeiro plano o apóstolo Pedro, ainda que no domingo passado o tenhamos admirado por sua fé franca em Jesus, a quem proclamou Messias e Filho de Deus; desta vez, no episódio sucessivo, mostra uma fé ainda imatura e demasiadamente ligada à “mentalidade  deste mundo” (Cf. Romanos 12, 2). De fato, quando Jesus começa a falar abertamente do destino que o espera em Jerusalém, isto é, que terá de sofrer muito e ser assassinado  para depois ressuscitar, Pedro protesta, dizendo: “Longe de ti, Senhor! De forma alguma te acontecerá isso!” (Mt 16,22). É evidente que o Mestre e o discípulo seguem duas maneiras opostas de pensar. Pedro, segundo a lógica humana, está convencido de que Deus não permitira nunca a seu Filho terminar sua missão morrendo a cruz. Jesus, pelo contrário,  sabe que o Pai, por causa do imenso amor pelos homens, o enviou para dar a vida por eles e que, se isto implica a paixão e a cruz, é justo que aconteça assim. Por outro lado, ele sabe também que a última palavra será a ressurreição. O protesto de Pedro, apesar de ter sido pronunciado com boa fé e por amor sincero ao Mestre, soa a Je- sus como uma tentação, um convite a salvar a si mesmo, enquanto que, só se perder sua vida, a receberá nova e eterna por todos nós. Se para nos salvar o Filho de Deus teve de sofrer e morrer crucificado, isso não é um desígnio cruel do Pai celestial. A causa é a gravidade da enfermidade da qual tinha que nos curar: um mal tão sério e mortal que exige todo seu sangue. De fato, com sua morte e ressurreição, Jesus derrotou o pecado e a morte, restabelecendo o senhorio de Deus. Mas a luta não terminou: o mal existe e resiste em discítoda geração, também em nossos dias. Por acaso os horrores da guerra, da violência contra os inocentes, da miséria e da injustiça que se abatem contra os fracos, não são a oposição do mal ao Reino de Deus? E como responder a tanta maldade senão com a força desarmada do amor que vence o ódio, da vida que não tem medo da morte? É a mesma força misteriosa que Jesus utilizou, ao custo de ser incompreendido e abandonado por muitos dos seus. Queridos irmãos e irmãs: para  levar a pleno cumprimento a obra de salvação, o Redentor segueassociando a si e a sua missão homens e mulheres dispostos a tomar a cruz e a segui-lo. Como aconteceu com Cristo, também para os cristãos carregar a cruz não é opcional, mas uma missão que se tem de abraçar por amor.  Em nosso mundo atual, no qual parecem dominar as forças que dividem e destroem, Cristo não deixa de propor a todos seu convite claro: “quem quiser ser meu discípulo, negue seu egoísmo e leve comigo a cruz”. Invoquemos a ajuda da Virgem santa, que seguiu Jesus pelo caminho da cruz em primeiro lugar e até o fim. Que ela os ajude a seguir com decisão o Senhor para experimentar já desde agora, apesar da provação, a glória da  ressurreição.       

 

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