Semanário da Arquidiocese de São Paulo - Ano 53 • nº 2710 • 12 de agosto de 2008

Edição 12.ago.2008

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Na mulher luminosa do Apocalipse Igreja reconhece Maria

 

 

 

Neste próximo domingo, a Igreja celebra a festa da Assunção de Maria. Reproduzimos aqui uma reflexão de Bento 16 proferida durante a oração mariana do dia 15 de agosto de 2006. Pensamos desta forma ajudar nossos leitores a entender o significado bonita da festa que celebramos em que proclamamos Maria Assunta ao céu, ou Nossa Senhora da Glória. Queridos irmãos e irmãs A tradição cristã colocou no meio do Verão uma das festas marianas mais antigas e sugestivas, a solenidade da Assunção da Bem- Aventurada Virgem Maria. Assim como Jesus ressuscitou dos mortos e subiu à direita do Pai, também Maria, depois de concluir o percurso da sua existência na terra, foi levada ao céu. A liturgia de hoje recordanos esta consoladora verdade de fé, enquanto canta os louvores daquela que foi coroada de glória incomparável. Lemos no trecho do Apocalipse, hoje proposto à nossa meditação “Apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça” (12, 1). Nesta mulher resplandecente de luz, os Padres da Igreja reconheceram Maria. No seu triunfo, o povo cristão peregrino na história entrevê o cumprimento das próprias expectativas e o sinal seguro da sua esperança. Maria é exemplo e sustento para todos os crentes: encoraja-nos a não desanimar diante das dificuldades e dos problemas inevitáveis de todos os dias. Garante-nos a sua ajuda e recorda-nos que o essencial consiste em buscar e aspirar às “coisas do alto, e não às coisas da terra” (cf. Cl 3, 2). Com efeito, arrebatados pelas preocupações diárias, corremos o risco de considerar que se encontra aqui, neste mundo onde só estamos de passagem, a derradeira finalidade da existência humana. Ao contrário, o Paraíso é a verdadeira meta da nossa peregrinação terrena. Como seriam diferentes os nossos dias, se fossem animados por esta perspectiva! Assim foi para os santos. As suas existências testemunham que quando se vive com o coração constantemente orientado para o céu, as realidades terrenas são vividas no seu justo valor porque são iluminadas pela verdade eterna do amor divino. À Rainha da paz, que contemplamos na glória celeste, gostaria de confiar uma vez mais os anseios da humanidade por todos os lugares do mundo, dilacerados pela violência. Unamo-nos aos nossos irmãos e irmãs que, nestas mesmas horas, estão reunidos no Santuário de Nossa Senhora do Líbano, em Harissa, para uma celebração eucarística presidida pelo Cardeal Roger Etchegaray, que foi ao Líbano como meu Enviado Especial, para levar conforto e solidariedade concreta a todas as vítimas do conflito e para ezar pela grande intenção da paz.  Estamos em comunhão também com os Pastores e os fiéis da Igreja na Terra Santa, que estão reunidos na Basílica da Anunciação em Nazaré, em redor do Representante Pontifício em Israel e Palestina, o Arcebispo dom Antonio Franco, para rezar por estas mesmas intenções. Dirijo o meu pensamento inclusive à querida Nação do Sri Lanka, ameaçada pela deterioração do conflito étnico; ao Iraque, onde a assustadora e quotidiana esteira de sangue afasta a perspectiva da reconciliação e da reconstrução. Maria obtenha para todos, sentimentos de compreensão, vontade de entendimento e desejo de concórdia!

 

    

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