Semanário da Arquidiocese de São Paulo - Ano 53 • nº 2698 • 20 de maio de 2008

Edição 20.mai.2008

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A Eucaristia nos santifica

Amados irmãos e irmãs, a Eucaristia está na origem de toda a forma de santidade, sendo cada um de nós chamado à plenitude de vida no Espírito Santo. Quantos santos tornaram autêntica a própria vida, graças à sua iedade eucarística! De Santo Inácio  de Antioquia a Santo Agostinho, de Santo Antão Abade a São Bento, de São Francisco de Assis a São omás de Aquino, de Santa Clara de Assis  a Santa Catarina de Sena, de São ascoal Bailão a São Pedro Julião  Eymard, de Santo Afonso Maria de Ligório ao Beato Carlos de Foucauld, de São João Maria Vianey a Santa Teresa de Lisieux, de São Pio de Pietrelcina à Beata Teresa de Calcutá, do Beato Pedro Jorge Frassati ao Beato Ivan Merz, para mencionar apenas alguns de tantos nomes, a santidade sempre encontrou o seu centro no sacramento da Eucaristia. Por isso, é necessário que, na Igreja, este mistério santíssimo seja verdadeiramente acreditado, devotamente celebrado e intensamente vivido. A doação que Jesus faz de Si mesmo no sacramento memorial da sua paixão, atesta que o êxito da nossa vida está na participação da vida trinitária, que nos é oferecida nele de forma definitiva e eficaz. A celebração e a adoração da Eucaristia permitem abeirar-nos do amor de Deus e a ele aderir pessoalmente até à união com o bem-amado Senhor. A oferta da nossa vida, a comunhão com a comunidade inteira dos crentes e a solidariedade com todo o homem são aspectos imprescindíveis do culto espiritual, santo e agradável a Deus (Rm 12, 1), no qual toda a nossa realidade humana concreta é transformada para glória de Deus. Convido, pois, todos os pastores a prestarem a máxima atenção à promoção duma espiritualidade cristã autenticamente eucarística. Os presbíteros, os diáconos e todos aqueles que exercem um ministério eucarístico possam sempre tirar destes mesmos serviços, realizados com solicitude e constante preparação, força e estímulo para o seu caminho pessoal e comunitário de santificação. Exorto todos os leigos, e as famílias em particular, a encontrarem continuamente no sacramento do amor de Cristo a energia de que precisam para transformar a própria vida num sinal autêntico da presença do Senhor ressuscitado. Peço a todos os consagrados e consagradas para manifestarem, com a própria existência eucarística, o esplendor  a beleza de pertencer totalmente  o Senhor.  No início do século IV, quando o culto cristão era ainda proibido pelas autoridades imperiais, alguns cristãos do norte de África, que se sentiam obrigados a celebrar o dia do Senhor, desafiaram tal proibição. Foram martirizados enquanto declaravam que não lhes era possível viver sem a Eucaristia, alimento do Senhor: “sem o domingo, não podemos viver”. Estes mártires de Abitinas, juntamente com muitos outros santos e beatos que fizeram da Eucaristia o centro a sua vida,  intercedam por nós e nos ensinem a fidelidade ao encontro com Cristo ressuscitado! Também nós não podemos viver sem participar no sacramento da nossa salvação e desejamos ser iuxta dominicam viventes, isto é, traduzir na vida o que celebramos no dia do Senhor. Com efeito, este é o dia da nossa libertação definitiva. Então porquê maravilhar-se quando desejamos que cada dia seja vivido segundo a novidade introduzida por Cristo com o mistério da Eucaristia? Que Maria Santíssima, Virgem Imaculada, arca da nova e eterna aliança, nos acompanhe neste caminho ao encontro do Senhor que em! Nela  encontramos realizada, na forma mais perfeita, a essência da Igreja. Esta vê em Maria, “Mulher eucarística” — como a designou o servo de Deus João Paulo 2º —, o seu ícone melhor conseguido e contemplá- la como modelo insubstituível de vida eucarística. Por isso, preparando-se para acolher sobre o ltar “o verdadeiro corpo  nascido da Virgem Maria”, o sacerdote, em ome da assembléia  itúrgica, proclama  com as palavras do cânone: “Veneramos a memória da gloriosa empre Virgem Maria, Mãe do nosso  Deus e Senhor, Jesus Cristo”. O seu nome santo é invocado e venerado também nos cânones das tradições orientais cristãs. Por sua vez, os fiéis recomendam a Maria, Mãe da  Igreja, a sua existência e trabalho. Esforçando-se por ter os mesmos sentimentos que Maria, ajudam toda a comunidade a viver em oferta viva, agradável ao Pai”. Ela é a Tota Pulchra, a Toda Formosa, porque nela resplandece o fulgor da glória de Deus. A beleza da liturgia celeste, que deve refletir-se também nas nossas assembléias, encontra nela um espelho fiel. Dela devemos aprender a tornar-nos pessoas eucarísticas e eclesiais para podermos também nós apresentar-nos, segundo a palavra de São Paulo, “imaculados” perante o Senhor, tal como Ele nos quis desde o princípio (Col 1, 22; Ef 1, 4). (da conclusão da Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis) 

 

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