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Pastorais
Fernando
Altemeyer Junior, teólogo,
é ouvidor da PUC-SP
Discípulos e missionários (1)
A missão cristã é uma convocação
alegre do Espírito para
seguirmos Jesus. A
missão é o comissionamento
de uma tarefa aceita como
ministério do
próprio Cristo Ressuscitado. A
missão é o novo jeito de
encarnar a palavra
viva de Deus nas veredas
da história. De fato,
creio que não exista
uma missão genérica, mas de
fato, há
missionários que a corporificam
quando são dóceis ao
Sopro de Deus. Os
missionários são as
mulheres e homens que dão
carne àquilo que o
Espírito anima. São os que
caminham gestando e
cuidando da vida.
Penso nos ossos secos do sonho
do profeta Ezequiel
ganhando o sopro vital.
A pergunta de fundo permanece:
O que o Espírito
nos pede, convoca e
inspira hic et nunc? No
hoje do Brasil. No
agora de nossas vidas. O que
o Espírito Santo diz ao nosso
coração de filhos neste minuto
cósmico e histórico, no qual a
Igreja continua
peregrinando na terra,
conforme a bela expressão
agostiniana recolhida pela Lumen
Gentium no Vaticano II?
A resposta se
encontra no corpo da
liturgia Eucarística
quando lemos a prece da
esperança missionária:
"Que tua Igreja, Senhor, seja
um recinto de
verdade e amor, liberdade,
justiça e paz, para que
todos encontrem nela um
motivo para seguir esperando.
Que todos os membros da
Igreja saibamos
discernir os sinais dos
tempos e cresçamos em
fidelidade ao Evangelho.
Que nos preocupemos em
compartilhar na
caridade as angústias e as
tristezas, as alegrias e as esperanças
das mulheres e
homens, mostrando-lhes
assim o caminho da
salvação." O Espírito
convoca nosso olhar para
ver a realidade a partir
dos elementos conjunturais
da atualidade:
77% das cidades têm
problemas ambientais –
pesquisa do IBGE com os
5560 municípios do Brasil,
mostra que os recursos são
poucos e as soluções,
inadequadas (FSP 14/05/2005
p. C4). América
Latina investe em
mísseis antiaéreos – países
de maior orçamento militar da
região são
assediados por fabricantes
– os recursos são avaliados
em 31 bilhões de
dólares (O Estado de São
Paulo 28/01/2007 – p.
A18). ‘Radar Social’ do
IPEA diz que Brasil tem
53,9 milhões de pobres. Há
14,6 milhões de
analfabetos com 15 anos ou
mais. A renda média caiu
de 754 para 639 reais de
1996 para 2003. 41,8
milhões de pessoas
no Brasil, não têm acesso simultâneo
a serviços de água,
esgoto e coleta de lixo
(Folha de são Paulo
2/06/2005 p. A12). Na
América Latina morrem
63 crianças para cada mil
nascidas; a média
nacional é de 35 por mil,
o que mostra que a vida
das crianças melhora. Mas
pouco (O Estado de São Paulo
10/12/2004 – p. A18).
Os cinco piores municípios
para as crianças são: Pau d´Arco
do Piauí (PI),
Melgaço (PA), São Paulo de
Olivença (AM), Campo
alegre do fidalgo (PI) e
Monte Santo (BA). A posição do
ranking do Brasil é de
numero 88 em uma
escala em 192 é o melhor
("O Estado de São Paulo",
15/12/2006 – p. A22).
O massacre de população
de rua no Brasil
continua – o caso mais
emblemático é o de
19/08/2004 acontecido no
centro paulistano e que
até hoje não teve punição.
Foram 7 moradores
assassinados a marretadas e
não há empenho
algum da justiça em
solucionar o caso (dados
do Vicariato Episcopal do
Povo de rua de São Paulo).
A ONU identifica 13 bolsões
de extrema pobreza
no Brasil. No estado de
São Paulo localiza-se um
desses que é o do
Vale do Ribeira - Guaraqueçaba
(FSP 19/01/2005 –
p. A8). As remessas de
imigrantes ajudam pouco, a
economia de países pobres.
A quantia em dólares que
os brasileiros que estão
no exterior remeteram
ao país foi de 3,4 bilhões em
2004 ("O Estado de
São Paulo" 01/11/2006 – p.
B10). A Igreja Católica no
Brasil procura
atender estas realidades
de angústia e promessa contando
com as seguintes
forças pastorais: 116
milhões de católicos,
organizados e reunidos em
9.222 paróquias e 44.903
centros de pastoral e
comunidades de base,
429 bispos, 18.685 presbíteros,
1.821 diáconos
permanentes, 4.003 irmãos,
34.697 religiosas e
553.085 catequistas.
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