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Palavra do Papa

A misericórdia divina
nos acompanha dia a dia
Sempre considerei um grande
dom da Misericórdia
Divina que o nascimento e
o renascimento me
foram concedidos, por
assim dizer, juntos,
no mesmo dia, no sinal do
início da Páscoa. Assim em
um mesmo
dia, nasci membro de minha
própria família e
da grande família de Deus.
Sim, agradeço a Deus porque pude
fazer a experiência do que
significa “família”;
pude fazer a experiência
do que quer dizer
paternidade, de tal forma
que a palavra sobre Deus
como Pai me tornou
compreensível por dentro;
sobre a base da experiência
humana me foi aberto o acesso ao
grande e benevolente Pai que
está no céu.
Diante dele temos uma responsabilidade
mas ao mesmo tempo
ele nos dá confiança,
porque na sua justiça
transparece sempre a
misericórdia e a bondade
com que aceita também a
nossa fraqueza e nos
sustenta , de tal forma
que pouco a pouco possamos
aprender a caminhar direito.
Agradeço a Deus por minha irmã e
meu irmão que, com
sua ajuda, me foram
fielmente próximos ao longo
do curso da vida.
Agradeço a Deus pelos
companheiros encontrados em
meu caminho, pelos conselheiros e
amigos que ele me deu.
Agradeço de modo
particular porque, desde o
primeiro dia, pude entrar
e crescer na grande
comunidade dos crentes, na
qual se escancarou o
limite entre vida e morte,
ente céu e terra; agradeço
por ter podido aprender tantas
coisas atingindo à sabedoria desta
comunidade, na qual estão fechadas
não só experiências humanas
desde os tempos
mais remotos: a sabedoria
desta comunidade não
somente sabedoria humana,
mas ela possibilita a
própria sabedoria de Deus
– a Sabedoria eterna.
Nascimento e renascimento;
família terrena e
família de Deus – é este o
grande dom das multíplices
misericórdias de Deus, o fundamento
sobre o qual nos apoiamos.
Prosseguindo no
caminha da vida me veio ao
encontro depois um dom
novo e exigente: o chamado
ao ministério sacerdotal.
Na festa dos santos Pedro
e Paulo de 1951, quando nós – havia
cerca de quarenta
companheiros – nos
encontramos na catedral de
Frisinga prostrados sobre
o chão e sobre nós foram
invocados todos os
santos, a consciência da pobreza
da minha existência de frente a
esta tarefa me pesava. Sim, era uma
consolação o fato que a
proteção dos santos
de Deus, dos vivos e dos
mortos, fosse invocada
sobre nós. Eu sabia que
não estaria só. E que
confiança infundiam as
palavras de Jesus, que
depois, durante a liturgia
da ordenação pudemos
escutar dos lábios do
bispo. “Não vos chamo mais
servos, mas amigos”.
Pude fazer disto uma experiência
profunda. Ele, o
Senhor, não é somente
Senhor, mas também amigo.
Ele colocou a sua mão
sobre mim e não me deixará.
Estas palavras vinham
então pronunciadas no
contexto do conferir da faculdade de
administrar o
sacramento da reconciliação
e assim, no nome de Cristo,
perdoar os pecados.
É a mesma coisa que hoje
escutamos no Evangelho: o
Senhor sopre sobre os discípulos.
Ele concede-lhes o seu Espírito – o
Espírito Santo: “A quem perdoardes
os pecados os pecados serão
perdoados...” O
Espírito de Jesus é poder de
perdão,. É poder da
divina misericórdia. Dá a possibilidade de iniciar
do começo –
sempre de novo. A amizade
de Jesus Cristo é amizade daquele
que perdoa também a
nós, nos ergue logo de
nossa fraqueza e justamente
assim nos educa, infunde em nos
a consciência do dever interior do
amor, do dever de corresponder à sua
confiança com a nossa
fidelidade. As
misericórdias de Deus nos
acompanham dia a dia.
Basta que tenhamos o
coração vigilante para
poder lhes perceber. Somos
muito inclinados a
perceber somente a fatiga
quotidiana que a nós, como
filhos de Adão, nos foi
imposta. Se, porém,
abrimos o nosso coração,
então podemos, mesmo
imersa nela, constatar
continuamente também o quanto
Deus é bom conosco, como ele
pensa em nós até
nas pequenas coisas, ajudando-
nos a atingir as
grandes. Com o peso
aumentado da responsabilidade,
o Senhor trouxe
também uma nova ajuda na
minha vida. Repetidamente
vejo com alegria
reconhecida quanto é grande a lista
daqueles que me
sustentam com a sua prece,
que com a sua fé e com o
seu amor me ajudam a
desenvolver meu ministério,
que são indulgentes com a
minha fraqueza, reconhecendo
também na sombra de Pedro a luz
benéfica de Jesus
Cristo. Por isto quero
nesta hora agradecer de
coração ao Senhor e a
todos vós. Quero concluir
esta homilia com a
prece do Santo Papa Leão Magno,
aquela prece que, exatamente
trinta anos atrás,
escrevi na lembrança da
minha consagração
episcopal. “Orai ao bom
Deus, a fim de que queira nos
nossos dias
reforçar a fé, multiplica
o amor e aumentar a paz. Torne-me
ele, seu mísero
servo, suficiente para a
sua missão e útil para a vossa
edificação e me conceda um desenvolvimento
do serviço tal que,
junto com o tempo dado,
cresça a minha dedicação.
Amam.
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