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Semanário da Arquidiocese de São Paulo - Ano 52 • nº 2645 • 8 de maio de 2007

Edição 8.maio.2007

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Edição especial
sobre o Centenário
da Arquidiocese
de São Paulo

 

 

Palavra do Papa

 

 

A misericórdia divina

nos acompanha dia a dia

 

Sempre considerei um grande dom da Misericórdia Divina que o nascimento e o renascimento me foram concedidos, por assim dizer, juntos, no mesmo dia, no sinal do início da Páscoa. Assim em um mesmo dia, nasci membro de minha própria família e da grande família de Deus. Sim, agradeço a Deus porque pude fazer a experiência do que significa “família”; pude fazer a experiência do que quer dizer paternidade, de tal forma que a palavra sobre Deus como Pai me tornou compreensível por dentro; sobre a base da experiência humana me foi aberto o acesso ao grande e benevolente Pai que está no céu. Diante dele temos uma responsabilidade mas ao mesmo tempo ele nos dá confiança, porque na sua justiça transparece sempre a misericórdia e a bondade com que aceita também a nossa fraqueza e nos sustenta , de tal forma que pouco a pouco possamos aprender a caminhar direito. Agradeço a Deus por minha irmã e meu irmão que, com sua ajuda, me foram fielmente próximos ao longo do curso da vida. Agradeço a Deus pelos companheiros encontrados em meu caminho, pelos conselheiros e amigos que ele me deu. Agradeço de modo particular porque, desde o primeiro dia, pude entrar e crescer na grande comunidade dos crentes, na qual se escancarou o limite entre vida e morte, ente céu e terra; agradeço por ter podido aprender tantas coisas atingindo à sabedoria desta comunidade, na qual estão fechadas não só experiências humanas desde os tempos mais remotos: a sabedoria desta comunidade não somente sabedoria humana, mas ela possibilita a própria sabedoria de Deus – a Sabedoria eterna. Nascimento e renascimento; família terrena e família de Deus – é este o grande dom das multíplices misericórdias de Deus, o fundamento sobre o qual nos apoiamos. Prosseguindo no caminha da vida me veio ao encontro depois um dom novo e exigente: o chamado ao ministério sacerdotal. Na festa dos santos Pedro e Paulo de 1951, quando nós – havia cerca de quarenta companheiros – nos encontramos na catedral de Frisinga prostrados sobre o chão e sobre nós foram invocados todos os santos, a consciência da pobreza da minha existência de frente a esta tarefa me pesava. Sim, era uma consolação o fato que a proteção dos santos de Deus, dos vivos e dos mortos, fosse invocada sobre nós. Eu sabia que não estaria só. E que confiança infundiam as palavras de Jesus, que depois, durante a liturgia da ordenação pudemos escutar dos lábios do bispo. “Não vos chamo mais servos, mas amigos”. Pude fazer disto uma experiência profunda. Ele, o Senhor, não é somente Senhor, mas também amigo. Ele colocou a sua mão sobre mim e não me deixará. Estas palavras vinham então pronunciadas no contexto do conferir da faculdade de administrar o sacramento da reconciliação e assim, no nome de Cristo, perdoar os pecados. É a mesma coisa que hoje escutamos no Evangelho: o Senhor sopre sobre os discípulos. Ele concede-lhes o seu Espírito – o Espírito Santo: “A quem perdoardes os pecados os pecados serão perdoados...” O Espírito de Jesus é poder de perdão,. É poder da divina misericórdia. Dá a possibilidade de iniciar do começo – sempre de novo. A amizade de Jesus Cristo é amizade daquele que perdoa também a nós, nos ergue logo de nossa fraqueza e justamente assim nos educa, infunde em nos a consciência do dever interior do amor, do dever de corresponder à sua confiança com a nossa fidelidade. As misericórdias de Deus nos acompanham dia a dia. Basta que tenhamos o coração vigilante para poder lhes perceber. Somos muito inclinados a perceber somente a fatiga quotidiana que a nós, como filhos de Adão, nos foi imposta. Se, porém, abrimos o nosso coração, então podemos, mesmo imersa nela, constatar continuamente também o quanto Deus é bom conosco, como ele pensa em nós até nas pequenas coisas, ajudando- nos a atingir as grandes. Com o peso aumentado da responsabilidade, o Senhor trouxe também uma nova ajuda na minha vida. Repetidamente vejo com alegria reconhecida quanto é grande a lista daqueles que me sustentam com a sua prece, que com a sua fé e com o seu amor me ajudam a desenvolver meu ministério, que são indulgentes com a minha fraqueza, reconhecendo também na sombra de Pedro a luz benéfica de Jesus Cristo. Por isto quero nesta hora agradecer de coração ao Senhor e a todos vós. Quero concluir esta homilia com a prece do Santo Papa Leão Magno, aquela prece que, exatamente trinta anos atrás, escrevi na lembrança da minha consagração episcopal. “Orai ao bom Deus, a fim de que queira nos nossos dias reforçar a fé, multiplica o amor e aumentar a paz. Torne-me ele, seu mísero servo, suficiente para a sua missão e útil para a vossa edificação e me conceda um desenvolvimento do serviço tal que, junto com o tempo dado, cresça a minha dedicação. Amam. 

 

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