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Centenário da Arquidiocese de São Paulo |
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Seminários diocesanos se transformam em provinciais
"Era preciso que o clero paulista tivesse a indispensável unidade de formação e de espírito", afirma dom Duarte Leopoldo e Silva sobre Pio 10º ter elevado o seminário teológico de São Paulo "à dignidade de provincial", em carta pastoral transformada nesta "entrevista". O primeiro arcebispo lembra também que "devemos o Seminário Central do Ipiranga à bondade do conde José Vicente de Azevedo".
O SÃO PAULO – Dom Duarte, o decreto pontifício que transformou a Igreja de São Paulo em Arquidiocese provocou mudanças também na questão da formação dos sacerdotes? Dom Duarte Leopoldo e Silva – Sim. Era preciso que o clero paulista tivesse a indispensável unidade de formação e de espírito. Por isso mesmo, o santo padre [Pio 10º] elevou o nosso seminário teológico à dignidade e provincial, concedendo-lhe o privilégio de conferir os graus acadêmicos de filosofia.
O S Ã O PAULO – E o seminário menor? Dom Duarte – Ele estava estava repleto de aspirantes o sacerdócio. Passou a ser também considerado central para toda a província com não pequena vantagem material para as novas dioceses.
O SÃO PAULO – E que outras novidades o santo padre acrescentou no documento de criação da Província de São Paulo, que teria a então diocese como sede? Dom
Duarte – Aprouve ainda ao santo padre
acrescentar maior lustre a esta nossa Arquidiocese
dando nova organização ao venerável Cabido
Metropolitano, não somente concedendo-nos a
faculdade de publicar novos estatutos mais
compatíveis com a diferença dos tempos, mas
conferindo-lhe ainda honras prelatícias e
extraordinárias.
O SÃO PAULO – O senhor falou dos seminários diocesanos teológico e menor que se transformaram em seminários centrais. Tudo indica que foi necessário também construir um seminário maior, não? Dom Duarte – Sim. E nós devemos o Seminário Central do Ipiranga à bondade do conde José Vicente de Azevedo, um homem rico diante dos homens e diante de Deus. Dez anos após a criação da Arquidiocese, ele doou uma extensa área de mais de 32 mil metros quadrados para a fundação do grande Seminário Central da Imaculada Conceição e Universidade Católica.
O SÃO PAULO – Mas foi dado um prazo para senhor começar a construção do seminário. Dom Duarte – É verdade. E eu tive que escrever uma carta ao conde, pedindo um prazo maior do que os três anos estipulados no documento de doação. Na carta, eu disse a ele: "Reconheço e proclamo generosidade e retíssima intenção. Edifica-se consoladoramente o desprendimento com que V. Excia. se dispõe a beneficiar o nosso clero dotando a Arquidiocese de um seminário modelo". Aí eu lhe expliquei que não queria fazer as coisas às pressas, "inaugurando ali um simulacro de seminário, uma coisa qualquer que me poria a coberto da lei"....
O SÃO PAULO – E que prazo pediu ao conde para construir o seminário? Dom Duarte – Eu disse na carta: "Pense, meu caro amigo. Deixe-me prazo mais longo, oito ou dez anos para satisfação do compromisso, e verá que não terá motivo de arrepender-se, pois o meu sonho dourado, todo o meu interesse, é dotar a Arquidiocese dessa fonte inestimável de bênção e santificação"... E eu prossegui na carta, dizendo ao conde: "Pense, meu amigo, que o seminário projetado não ficará e menos de cinco ou seis mil contos, devendo servir, não somente para toda a província, mas ainda para grande parte do Brasil".
Nota da Redação: A carta a que dom Duarte se refere está transcrita na biografia do conde José de Azevedo, escrita por Maria Angelina de Azevedo Franceschini, uma publicação da Fundação Nossa Senhora Auxiliadora do Ipiranga datada de 1996. A carta foi escrita em 1928. O conde atendeu ao pedido de dom Duarte. Seis anos depois, no dia 19 de março de 1934, foi inaugurado o Seminário Central do Ipiranga.
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