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Centenário da Arquidiocese de São Paulo |
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Arquidiocese tem uma santa em sua história
Santa Paulina
viveu e trabalhou durante 39 anos na Arquidiocese
A história dos cem anos da Arquidiocese tem no
início uma página que, segundo os critérios humanos,
poderia parecer sombria. Deus, porém, não pensa como
os homens, e da página que poderia parecer sombria
fez uma página cheia de luz.
Como esquecer que bem no começo da Arquidiocese três
irmãzinhas, falando com dificuldade o português por
serem migrantes italianas chegaram de Nova Trento
(SC) à cidade de São Paulo? Elas pertenciam à
Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição.
Foram trazidas por iniciativa do conde José de
Azevedo. De novo esse homem, rico por fora e por
dentro, construiu a Casa da Sagrada Família para
abrigar escravos idosos, crianças órfãs,
descendentes de escravos.
A congregação se plantou em São Paulo. Entre as três
irmãzinhas, uma delas, a fundadora da congregação,
seria a primeira santa brasileira. Da humilhação que
lhe foi imposta por dom Duarte Leopoldo e Silva e da
aceitação serena da humilhação, ela dava mais uma
amostra de sua fidelidade a Deus e, hoje, não só o
Brasil, mas todo o mundo católico a invoca como
Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus.
Amábile Lucia Visintainer nasceu em 1865, em Vigolo,
Trento, Itália. Era a segunda filha dos camponeses
Napoleone Visintainer e Anna Planezzer. Ela chegou
ao Brasil com nove anos. Sua família e outras vindas
da terra natal se instalaram na então Província de
Santa Catarina. Ela perdeu a mãe em 1887 e passou a
cuidar do pai e dos irmãos até seu pai casar-se de
novo. Logo seu carinho pelos necessitados se fez
notar. Juntou-se a uma amiga em 1890 e acolheu uma
doente com câncer em fase terminal. Desse jeito
simples nasceu a Congregação das Irmãzinhas da
Imaculada Conceição.
Em 1903, aquele que foi o último bispo e o primeiro
arcebispo de São Paulo recebeu na diocese madre
Paulina e suas duas companheira. Elas foram morar no
Ipiranga (zona sul) e começaram a missão que lhes
foi confiada. Foi em 1909, um ano após a criação da
Arquidiocese e da posse de dom Duarte como primeiro
arcebispo, que a grande sombra cobriu a vida de
madre Paulina e de sua congregação.
Sendo madre Paulina a superiora da congregação e da
Casa da Sagrada Família, na sua simplicidade e ao
mesmo tempo firmeza demonstrou estranheza pelo fato
de uma senhora rica da sociedade paulistana,
benfeitora da obra, estar a dar ordens lá dentro.
Dom Duarte interpretou como ingratidão a atitude de
madre Paulina e a destituiu do cargo de superiora
geral e vitalícia da congregação que ela mesma havia
fundado. Demonstrando mais rigor ainda, dom Duarte a
enviou para Bragança Paulista para trabalhar com os
doentes da Santa Casa e com os velhinhos do Asilo
São Vicente de Paulo. Dá para imaginar aquela
irmãzinha de joelhos diante do arcebispo, sendo
totalmente aniquilada dizendo sim a ele, entregando
sua congregação, passando de fundadora e superiora a
súdita. Durante dez anos, madre Paulina permaneceu
em Bragança.
Ela voltou para a “casamãe” da congregação, no
Ipiranga, em 1918, com a permissão do arcebispo. No
silêncio, na oração, na assistência às irmãs
enfermas, foi relatando os passos iniciais da
congregação que escrevia sua história.
Dom Duarte faleceu em 1933, ano em que a congregação
foi recompensada com um decreto de louvor da Santa
Sé. E quando se comemoraram os 50 anos de fundação,
em 12 de julho de 1940, madre Paulina escreveu seu
testamento espiritual, exortando as irmãs à
humildade e à confiança na divina providência. Com a
certeza de quem enfrentou tempestades, disse ela:
“Nunca desanimeis, embora venham ventos contrários”.
O diabetes e suas complicações foram minando as
forças de madre Paulina.
Teve o dedo médio e, depois, o braço direito
amputados e ficou cega. Faleceu no dia 9 de julho de
1942. “Seja feita a vontade de Deus” foram suas
últimas palavras. No dia 18 de outubro de 1991, foi
beatificada pelo papa João Paulo 2º, que a incluiu
na lista dos santos da Igreja em 19 de maio de 2002.
A imigrante madre Paulina tornou-se a protetora dos
migrantes da cidade de São Paulo, do Brasil e do
mundo.
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