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05/05/2009

 

Entrevista para O SÃO PAULO

sobre as Diretrizes da Formação Presbiteral

com Rafael Alberto
Redação Jornal O SÃO PAULO

 

1)      Quais as novidades que o texto traz?

R. As Diretrizes da Formação Presbiteral precisam ser atualizadas de tempos em tempos; foi o que a CNBB fez nessa recente Assembléia Geral. Dessa forma, os bispos, que são os primeiros e mais importantes responsáveis pela formação do seu clero, colegialmente, dão as orientações para que essa formação seja adequada aos tempos e momentos que a Igreja vive e que a missão da Igreja demanda. Há muitos aspectos de atualização e novidade, mas quero indicar apenas aquela que parece ser a mais importante: a preocupação missionária perpassa todo o processo da formação dos padres nas novas Diretrizes.


2) O que a Igreja no Brasil espera dos novos sacerdotes?

R. Espera que sejam bons padres, verdadeiros discípulos e missionários de Jesus Cristo; que eles possam contribuir eficazmente para o cumprimento da missão da Igreja no Brasil e, para isso, sejam ricos de qualidades humanas e tenham um caráter bem formado, para colocar essas capacidades a serviço da missão que recebem; sejam bem formados na dimensão intelectual, na teologia e na cultura geral; que tenham uma espiritualidade sólida, baseada na mística do seguimento de Jesus Cristo, Bom pastor; e os olhos abertos e bem atentos às necessidades humanas e religiosas do povo, o coração sensível aos apelos de Deus e da Igreja; que sejam amados pelo povo e tenham verdadeira paixão pela missão da Igreja, colocada em suas mãos.

 

3) A questão da sexualidade é abordada no novo documento? De que forma?
R. Sim, como também já foi abordada nas suas versões anteriores. As novas Diretrizes levam em conta o atual momento cultural que vivemos, no qual a sexualidade é um tanto banalizada e aparece relacionada com tantas situações problemáticas, que podem envolver também os candidatos ao sacerdócio e os próprios padres. A Igreja não despreza a sexualidade humana; mas ela mantém o compromisso do celibato sacerdotal, como expressão profética de entrega total a Deus, ao seu reino e à missão da Igreja; mas o celibato, para ser vivido como dom, e não como uma frustração, requer um sadio e forte equilíbrio afetivo e sexual e a capacidade de amar, de coração grande e generoso.

 

4) Em São Paulo, com as dificuldades extras da grande cidade, quais são os pontos fundamentais que não podem faltar na formação?

R. Na formação sacerdotal do clero de São Paulo, todos os pontos previstos nas Diretrizes devem ser levados em conta. Evidentemente, a complexidade da missão nesta cidade imensa requer uma formação humana, teológica e espiritual especialmente aprimorada e atenta às condições próprias da missão da Igreja na Metrópole. A Igreja em São Paulo precisa de padres que, como nosso Patrono, tenham a garra e a capacidade de entrar contato com todos os “areópagos” da cidade, para anunciar neles o Evangelho de Cristo.

 

5) É verdade que o novo documento, ao contrário do anterior, valoriza a formação permanente dos sacerdotes?

R. Até agora, foi costume que as Diretrizes para a Formação Sacerdotal estivessem voltadas mais especificamente para a formação básica dos padres, no seminário. Deste vez, a CNBB achou por bem incluir nelas orientações também para a formação permanente do clero, depois da ordenação sacerdotal. Não é de hoje que a Igreja valoriza e estimula a formação permanente do clero e tem boas orientações a esse respeito, mas em outro Documento (Pastores dabo vobis).

 

6) Como se relacionam as novas Diretrizes com o Ano Sacerdotal anunciado pelo papa Bento XVI?

R. Por uma feliz coincidência, as novas Diretrizes da Formação Presbiteral estão sendo feitas justamente no contexto do Ano Sacerdotal, que será aberto pelo Papa no dia 19 de junho próximo, para a Igreja no mundo inteiro. O Ano Sacerdotal fará a memória dos 150 anos da morte do patrono dos padres, o Cura de Ars, um verdadeiro pastor de almas e exemplo para todos os sacerdotes. Teremos a ocasião de colocar em evidência a verdadeira e boa imagem do sacerdote, o testemunho de vida de tantos bons padres, que se entregam de corpo e alma à missão da Igreja; também serão incentivadas as vocações sacerdotais e a boa formação dos novos padres e daqueles que já estão no exercício do ministério sacerdotal.

 
Card. D. Odilo P. Scherer

Arcebispo de S.Paulo

 

(Entrevista publicada em O SÃO PAULO no dia 5/5/09).

 

 

  

 

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