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03/07/2007

 

Simbolismo do pálio

 

As celebrações da Igreja são marcadas por simbolismos e sinais que expressam e ajudam a compreender melhor aquilo que significam. No dia 29 de junho, recebi o pálio arquiepiscopal das mãos do papa Bento 16, juntamente com outros 50 arcebispos metropolitas de vários países de todo o mundo. Do Brasil éramos cinco. Foi durante a celebração solene dos apóstolos Pedro e Paulo na Patriarcal Basílica Vaticana. Milhares de peregrinos participaram da solene celebração. Já é significativo que a entrega do pálio seja feita todos os anos exatamente na comemoração de São Pedro e São Paulo: eles são especialmente importantes para a Igreja, pois nos deram os primeiros frutos da fé; vivemos ainda hoje dessa mesma fé, e a missão da Igreja consiste ainda hoje em transmitir, de geração em geração, essa “herança apostólica”. Conforme canta um hino da liturgia das horas dessa solenidade, Pedro e Paulo são “duas oliveiras diante do Senhor e dois candelabros de luz”... Lembro os dias do Jubileu da Juventude, em agosto do ano 2000, em Roma: filas intermináveis de jovens tomados de profunda emoção atravessavam a “porta santa” e entravam na Basílica de São Pedro. Vinham de muitos países diferentes e a maioria entrava pela primeira vez na basílica. Antes de entrar, porém, passavam no meio de duas velhas oliveiras, cepas enormes, cobertas de ramos novos. Poderia parecer um simples ornamento na praça, mas o simbolismo era eloqüente: a porta é Cristo; as oliveiras são os dois apóstolos fundadores da Igreja de Roma: cepas antigas, podadas e re-podadas ao longo dos séculos, mas sempre plenas de vigor e capazesde produzir frutos abundantes, porque enraizadas em Cristo. Os jovens, quais brotos novos, representavam a Igreja que se renova sem cessar à sombra dessas velhas e fecundas oliveiras e se alimenta na fé apostólica. Esta mesma fé também é testemunhada e pregada pelos bispos em cada diocese do mundo; estreitamente unidos com o papa, sucessor de São Pedro, que confirma os irmãos na fé e no caminho da Igreja, eles garantem a fidelidade da Igreja à fé apostólica. O pálio entregue aos arcebispos também tem este significado sugestivo: um laço estreito de união com o papa, pastor universal visível do rebanho e de fidelidade ao seu magistério na Igreja. Foi Pedro, de fato, que recebeu de Jesus o encargo de “apascentar minhas ovelhas”. O pálio ainda é sinal do encargo pastoral entregue aos bispos; Jesus Cristo associa a si, nesse suave jugo, os pastores postos à frente de cada uma das Igrejas particulares. É um “peso de amor”, também dito “ofício de caridade” (“amoris officium”), que os bispos devem exercer em nome de Cristo. Ele, de fato, é o verdadeiro pastor do rebanho, que é seu; e aqueles que se aproximam das ovelhas serão reconhecidos como legítimos na medida em que se apresentarem em nome dele, e não em nome próprio, e com os sentimentos dele em relação ao rebanho. Enfim, o pálio é sinal distintivo da responsabilidade própria do arcebispo metropolita no âmbito de sua província eclesiástica, na qual ele poderá usá-lo durante as celebrações da liturgia. De fato, o direito da Igreja reserva algumas funções próprias ao arcebispo metropolita, em função da unidade da fé e da viabilização da disciplina clesiástica.  Durante a imposição do pálio pelo santo padre, o coral cantava o refrão com as palavras de Jesus na conclusão do Evangelho de São Mateus: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura”. Como fizeram Pedro e Paulo, no início do cristianismo, a Igreja continua a fazer também hoje... E o papa convidou todos à oração para que, pela intercessão dos santos Pedro e Paulo, a Igreja seja una na profissão da mesma fé, santa pela vida dos seus filhos, católica pela acolhida dessa fé por todos os povos e apostólica pela sua íntegra fidelidade ao fundamento posto pelo Senhor, a fim de que o mundo creia em Jesus Cristo. Amém, assim seja em São Paulo e em todo o mundo! 

 

Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de S.Paulo

Jornal O São Paulo - 03/07/2007

 

 

 

 

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